A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), está participando pela primeira vez do projeto Vivências e Estágios na Realidade do SUS (Ver-SUS), uma iniciativa estruturada para possibilitar que estudantes, residentes e trabalhadores da saúde integrem uma imersão formativa nos territórios e nas práticas do Sistema Único de saúde (SUS).
O projeto é de âmbito nacional e faz parte do Programa Nacional de Vivências no Sistema Único de saúde (Vivências no SUS), uma parceria entre Ministério da saúde, Organização Pan-Americana da saúde (Opas), REDE Unida e outras instituições, com foco na vivência de estudantes de áreas diversas no cotidiano do SUS, fortalecendo a formação e a integração ensino-serviço-comunidade.
A edição de Manaus reúne um grupo formado por 11 participantes que desde segunda-feira, 6/4, acompanha a rotina de comunidades ribeirinhas e tradicionais vinculadas à unidade de saúde da Família Rural (USFR) Nossa Senhora do Livramento, localizada a 20 quilômetros em linha reta do centro urbano de Manaus. A proposta é possibilitar aos participantes compreender, na prática, os desafios logísticos, culturais e assistenciais do cuidado em territórios amazônicos.
A coordenadora da Residência Multiprofissional de saúde de Família e Comunidade da escola de saúde Pública de Manaus (Esap), sanitarista Thalita Guedes, destacou que o programa permite que estudantes e profissionais da saúde conheçam o SUS na prática, focando na prevenção, promoção da saúde e respeito às culturas locais.
“Nesta edição, nós temos um ganho importante porque envolvemos não só os alunos de graduação, mas alunos de cursos técnicos de saúde e residentes em saúde, interagindo em diferentes espaços”, destaca Thalita, informando que essa é a primeira vez que Manaus sedia o programa, que tem o objetivo de proporcionar a compreensão de como o SUS funciona no território amazônico. “Nosso intuito é mostrar que além da cura, o SUS atua também na prevenção de doenças e na promoção da saúde, o que significa respeitar a cultura local e os modos de vida das populações”.
Na manhã da quarta-feira, 8/4, os participantes acompanharam as equipes da Semsa vinculadas à USFR Livramento na oferta de atendimentos aos moradores das comunidades de Julião e Tupé.
Além das experiências em comunidades indígenas, rurais e ribeirinhas, com participação da população local, a programação, que será concluída neste sábado, 11/4, envolve participação dos viventes em rodas de conversa sobre controle social, cuidado intercultural e medicina indígena, além de oficinas com os temas “Rios da Vida”, “Mapa Falante” e “Arte e saúde”.
Acesso à saúde
O psicólogo Vitor Amazonas, residente em saúde indígena que está atuando como facilitador do programa, teve oportunidade de ser vivente em Manicoré, município cujo acesso é realizado principalmente por via fluvial. Para Vitor, as vivências possibilitam uma troca mútua e enriquecedora de conhecimentos e experiências que são importantes tanto para o desenvolvimento profissional quanto pessoal.
“A vivência em diferentes serviços de saúde, incluindo a atenção básica e a atenção secundária, o contato com movimentos sociais e as comunidades, nos proporciona uma visão abrangente do território. Essa experiência transforma nosso atendimento, porque nos permite uma compreensão mais humanizada e aprofundada sobre os princípios da universalidade, integralidade e equidade. Compreendemos a importância de garantir o acesso à saúde para todos, independentemente da localização geográfica”, resumiu.
A estudante Milena Reis está fazendo graduação em enfermagem na Universidade Federal da Bahia e participa pela primeira vez do “Vivências no SUS” e destaca que a experiência está agregando muito valor à sua formação.
“Ter a oportunidade de ver como o SUS é vivo, como se molda a partir das necessidades da população é uma experiência enriquecedora. A minha cidade, por exemplo, é predominantemente urbana e aqui eu já vejo as comunidades ribeirinhas e indígenas. Há uma adaptação para atender essas populações, e isso é uma experiência rica para mim, enquanto futura profissional de saúde e que deseja imensamente fortalecer o SUS”, concluiu.

— — —
Texto – Tânia Brandão/Semsa
Fotos – Edmundo Lapin/Semsa
