Moradores das comunidades da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, com apoio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA), soltaram mais de 56 mil filhotes de quelônios nos primeiros meses de 2026. As ações ocorreram entre janeiro e março e adotaram a metodologia do Projeto Pé-de-Pincha, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), que envolve manejo comunitário das praias de desova.
Detalhes das solturas e locais
As solturas foram realizadas em diversas comunidades da Unidade de Conservação, conforme registro das equipes locais. A maior ação ocorreu na comunidade Enseada, no dia 22 de fevereiro, com cerca de 40 mil filhotes devolvidos ao ambiente natural.
Também houve solturas em Amaro (157 filhotes), Araras (255), Caioé (2.095), Maxilane (7.403), Maracaranã (1.700), São Benedito (590), Abacate (2.572), Manaim (380), Livramento (1.224) e Bom Jesus (156).
Metodologia e manejo comunitário
As atividades seguem a rotina do Projeto Pé-de-Pincha, que inclui monitoramento das praias, coleta e proteção dos ninhos, transferência dos ovos para áreas seguras — as chamadas chocadeiras — e acompanhamento até a soltura dos filhotes. O modelo de manejo comunitário envolve moradores como monitores ambientais e orienta as ações de proteção das áreas de desova.
Segundo Amanda Botelho Gomes, gerente da RDS Uatumã, “A soltura de quelônios é um momento importante para as comunidades da RDS porque representa o resultado de um trabalho contínuo de proteção dessas espécies. Quando os moradores participam dessas ações, eles também se tornam protagonistas na conservação da biodiversidade do território”.
Participação das comunidades
Moradores atuaram diretamente nas etapas do manejo, desde o monitoramento até a soltura. A presença local foi apontada pelas equipes como fundamental para proteger os ninhos e acompanhar a eclosão.
Uma das participantes é a moradora da comunidade Enseada, Iracy Cleide Oliveira, que atua como monitora de quelônios. Ela declarou: “Eu quero agradecer a todos, principalmente meus professores, que foram os meus monitores, que me ensinaram a cuidar dessas belezas, dessas lindezas aqui. Muito obrigada, meus professores. Vocês foram demais”.
Iracy afirmou também: “Que nós continuemos levando esse trabalho muito além. Que isso possa fazer outras pessoas verem que realmente vale a pena viver. Viver e cuidar, zelar pela natureza”.
O modelo de manejo comunitário, conforme os responsáveis pelo projeto, contribui para reduzir a coleta ilegal de ovos e favorece a recuperação das populações de quelônios na Amazônia.
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