Câmara dos Deputados aprova moção de repúdio às declarações de Paolo Zampolli sobre mulheres brasileiras

Câmara aprovou moção de repúdio a declarações de Paolo Zampolli e propôs declaração de persona non grata em 29/04/2026.

A Câmara dos Deputados aprovou em Plenário, em 29/04/2026, uma moção de repúdio às declarações de Paolo Zampolli, representante do governo Trump para parcerias globais, que afirmou em entrevista que mulheres brasileiras são “programadas” para causar confusão. A proposta, assinada por deputados e deputadas, também sugere que Zampolli seja declarado persona non grata no âmbito político-institucional da Câmara.

Moção de repúdio e assinaturas

A moção foi apresentada por Luiz Couto (PT-PB) e assinada por Heloísa Helena (REDE-RJ), Luizianne Lins (REDE-CE), Marina Silva (REDE-SP), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Laura Carneiro (PSD-RJ). O texto da moção está disponível na tramitação da Câmara e foi votado em Plenário durante a sessão citada em 29/04/2026.

Acusações contra Zampolli e resposta

As declarações citadas por Zampolli ocorreram em resposta a questionamento sobre acusações feitas por Amanda Ungaro, ex-modelo brasileira e ex-companheira do representante por cerca de 20 anos. Amanda Ungaro acusa Zampolli de agressão física, psicológica e sexual, alegando ter sido vítima de socos no rosto quando recusava relações sexuais, e apresentou fotos de hematomas como prova. Zampolli nega as acusações e afirma que Ungaro tenta prejudicá-lo.

Em outra fala registrada, o enviado dos EUA relacionou o comportamento dos brasileiros ao consumo de novelas: “Os brasileiros assistem a novelas e são todos um pouco assim. Você já ouviu dizer que as brasileiras enganam todo mundo, né? Não é como se fosse a primeira vez”.

Reações na presidência da Câmara

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), manifestou “total repúdio” às declarações de Paolo Zampolli. Segundo Motta, declarações dessa natureza podem incentivar agressões. Ele citou que, em 2025, o Brasil teve o maior número de feminicídios dos últimos dez anos, com mais de 1.500 mulheres assassinadas, uma a cada 5 horas, e afirmou que combater a violência contra as mulheres é prioridade da Casa.

Motta declarou que a Câmara não PODE fechar os olhos para esse tipo de manifestação e disse que a Casa saberá se levantar e enfrentar, se preciso for, para proteger as mulheres brasileiras de qualquer tipo de violência. Ele também parabenizou os parlamentares que apresentaram pedidos pela moção de repúdio.

Debate em Plenário

Durante o debate, a deputada Marina Silva afirmou que o repúdio tem razões políticas, filosófico-conceituais, de gênero e culturais, e que a desqualificação das mulheres brasileiras ofende todo o país. Marina ressaltou que a fala de Zampolli deve ser interpretada como opinião de governo e não apenas pessoal, e observou que o assessor especial nunca foi desautorizado pelo governo Trump.

O deputado Gilson Marques (NOVO-SC) afirmou ser contra as falas do assessor, mas considerou inconveniente classificar Zampolli como persona non grata, por temer interpretação negativa por parte do governo americano em um momento que, segundo ele, pede cautela nas relações diplomáticas e comerciais.

Reportagem – Eduardo Piovesan e Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli

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Publicado em: 29/04/2026 às 16:16
Categoria(s): Nacional