Governo do Amazonas · 01/01/2021

Especialistas recomendam uso de Ventilação Não Invasiva (VNI) para reduzir intubação de pacientes Covid-19

O objetivo é introduzir a fisioterapia com o uso de VNI ainda na enfermaria, partindo de estudos e experiências que mostram que o reforço no tratamento ao paciente nesta etapa diminui o tempo de internação, evita levar o paciente para a UTI e reduz o índice de mortalidade.


A Secretaria de Estado de saúde (SES-AM) está discutindo o uso de novas tecnologias no tratamento da Covid-19 em pacientes da REDE estadual de saúde. Seguindo exemplo do estado do Ceará, que vem tendo bons resultados na utilização de Ventilação Não Invasiva (VNI) para amenizar o desconforto de pacientes com insuficiência respiratória e reduzir a intubação, a SES-AM pretende reforçar o serviço de fisioterapia nas unidades porta de entrada para a Covid-19.

Com base em estudos recentes e levantamentos sobre a eficácia do tratamento em pacientes com a Covid-19 no Brasil e no mundo, e orientações já apresentadas pela Organização Mundial de saúde (OMS), a comissão elaborou Nota Técnica para orientar o uso de VNI nas portas de entrada para Covid-19.

 Nesse contexto foi criada, por meio de portaria, a Subcomissão de Fisioterapeutas do Estado do Amazonas, no Âmbito do Comitê de Respostas Rápidas para o enfrentamento da Covid-19. O grupo é formado por profissionais da SES-AM e fisioterapeutas especializados em terapia intensiva e fisioterapia respiratória que atuam nos prontos-socorros da REDE estadual de saúde.

Na Nota Técnica, os coordenadores de fisioterapia de três grandes Hospitais e Prontos-Socorros (HPS) do Estado detalham os tipos e métodos recomendados, os resultados alcançados em pacientes acometidos pelo NOVO coronavírus e quais os perfis de pacientes que podem ser beneficiados com o tratamento. O documento é assinado pelos coordenadores dos Serviços de Fisioterapia do HPS João Lúcio, Sérgio Cruz; e do HPS 28 de Agosto, Alessandro Magno; e pelo fisioterapeuta intensivista também do HPS 28 de Agosto, Paulo Sá.

De acordo com o doutorando em ciências da Reabilitação da Universidade Federal de Minas Gerais, Marcos Giovanni Carvalho, os estudos mostraram que o uso de terapias não invasivas reduz em até 61% a necessidade de intubação do paciente.

 Além de reduzir o desconforto respiratório, a tecnologia proporciona melhorias nos níveis de oxigenação dos pacientes, conforme apontaram os especialistas.

Os especialistas descrevem que “hoje não há dúvidas de que o uso da VNI em grupos selecionados de pacientes é responsável pela diminuição da necessidade de intubação, mortalidade e custos do tratamento. Diante do exposto, além da recomendação para o uso nos pacientes que sofrem de complicações pulmonares decorrentes da Covid-19, este método de tratamento PODE ser indicado e executado por um fisioterapeuta para pessoas/pacientes que apresentam as seguintes condições: pós-extubação difícil, edema agudo pulmonar, doença pulmonar obstrutiva crônica agudizada, crise de asma agudizada, apneia obstrutiva do sono, fadiga muscular respiratória, doenças neuromusculares, disfunção diafragmática, colapsos pulmonares (atelectasias)”.

 A comissão também orienta quanto aos equipamentos necessários para a realização de ventilação não invasiva. São eles: o Bipap, também chamado de Bilevel ou Pressão Positiva Bifásica, que favorece a respiração através da aplicação da pressão positiva em dois níveis.

Equipamentos – No documento, elaborado pelos especialistas, eles citam a utilização de máscaras VNI para reduzir a mortalidade hospitalar. Conforme os profissionais, a VNI mantém as barreiras de defesa natural, reduz a necessidade de sedação e o período de ventilação mecânica, podendo evitar intubação orotraqueal e suas possíveis complicações.



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E o CPAP, ventilação não invasiva que funciona aplicando uma pressão contínua durante a respiração, o que significa que é utilizado somente um nível de pressão. “Ressaltamos ainda que a terapia com CPAP é mais indicada para o cuidado e tratamento de pacientes que apresentam um quadro clínico de hipoxemia”, diz o documento, se referindo ao quadro de baixa oxigenação no sangue, muito comum em pacientes com Covid-19.